Escrevendo: Parte 1 – Ideias e planejamento

Esse é o primeiro do que espero que se torne uma série de posts que funcionem como um making off do romance que estou tentando escrever. Quero fazer comentários, explicar algumas inspirações, reclamar e, mais que isso, pensar a história; acho que escrever aqui será uma ótima forma de fazer tudo isso ao mesmo tempo!

Começando pelo começo: a história surgiu no curso de escrita criativa que fiz (e recomendo: Oficina de escrita criativa) na forma de um pequeno conto (que está no blog onde coloco meus textos de ficção, bem aqui) chamado A Máquina Curiosíssima. É uma história de realismo fantástico, que é o que eu mais tenho vontade de escrever no momento, sobre um tema que mexe muito comigo: o medo de crescer.

Quando levei esse texto para a oficina, percebi que ali existiam muitos conflitos para pouco espaço e que a história, na verdade, era bem maior que aquela que eu tinha contado e que era algo que eu precisava escrever. Ainda preciso. Por isso estou em fase de planejamento, conhecendo a personagem e o que ela sente, quer, deseja, teme.

Além dos conflitos, também acho que a quantidade de elementos fantásticos ficou um pouco demais para um texto curto e acredito que eu conseguiria escrevê-los melhor num texto mais longo. Especialmente porque eu não quero que seja uma história completamente submersa em fantasia, e sim que seja pavimentada no chão duro da realidade justamente para o que fantástico fique ainda mais maravilhoso. O estranho o é sempre em comparação com o normal, e isso significa que o normal precisa ser muito bem estabelecido.

São dois os elementos fantásticos desse conto: a boneca Hello Kitty que fala e o momento final, quando a protagonista atravessa o rio andando sobre a água. Ainda assim, minha ideia é deixa ambíguo se a boneca realmente fala ou se é só uma projeção da voz interior da personagem, e se ela realmente andou pela água ou se isso é uma metáfora para o seu crescimento. E eu quero usar esses elementos por uma razão, para que eles mostrem a personagem. Escolhi a Hello Kitty, por exemplo, por ser uma símbolo universal da infância e inocência feminina. E, fora da narrativa, também porque ela é um gato e colocando um gato falante no meu texto eu quis homenagear os dois autores que me inspiraram a escrever literatura fantástica: Lewis Carroll e Haruki Murakami.

A ideia de tratar do medo de crescer é outra coisa que estou pesquisando também. O que eu quero é um medo misturado com tédio, já que a personagem é alguém encantada com as possibilidades infinitas e fantasiosas da infância, e enxerga que crescer é abrir mão disso e viver uma vida chata e desinteressante. Talvez seja um medo disfarçado de tédio, ainda estou pensando nisso.

Sobre esse assunto, andei lendo e procurando outros livros que tratem do assunto. Claro, o mais famoso deles é o Apanhador no campo de centeio, do J.D. Salinger, cujo protagonista, Holden Caulfield, é um garoto de 16 anos que foge do mundo adulto como o diabo foge da cruz. Além deste, li recentemente (indicação da minha professora do curso) o livro A convidada do casamento, da Carson McCullers, que fala sobre uma menina que também tem problemas pra crescer e passar da infância para a adolescência. Fora estes, posso citar ainda As vantagens de ser invisívelA idade dos milagresSubmarinoO estranho caso do cachorro morto e até outros que não se encaixam perfeitamente nessa definição, mas que me ajudaram a pensar sobre o assunto, como Kafka à beira-mar O Sol É Para Todos (esse me ajuda em todos os momentos da vida!).

Me inspiro bastante por músicas também e, no momento, uma trilha ideal para essas ideias seria a canção Wake Up, do Arcade Fire. Fala sobre a infância, sobre crescer, sobre a magia, as mudanças e a necessidade de uma luz para saber onde se está indo. Além de ser muito bonita e emocionante.

Algo encheu meu coração com nada
Alguém me avisou pra não chorar
Mas agora que estou mais velho
Meu coração está mais frio
E eu vejo que isso é uma mentira
Crianças acordem
Segurem seus erros
Antes que eles transformem o verão em pó
Se as crianças não crescerem
Nossos corpos crescem mas nossos corações se perdem
Nós somos só um milhão de pequenos deuses
causando tempestades e enferrujando cada coisa boa
Eu acho que só teremos que ajustar
Com meus disparos de brilhos
Eu posso ver aonde estou indo
Quando o ceifeiro, ele alcança e toca minha mão.
Com meus disparos de brilhos
Eu posso ver aonde estou indo.
É melhor você olhar pra baixo!
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5 thoughts on “Escrevendo: Parte 1 – Ideias e planejamento

  1. Juliana Rabelo says:

    Ai, Gabi, que lindo é ver esse processo da coisa toda tomando forma…e tô feliz por ter feito parte dele tbm xD ahuahahuuahuahhua

    Tenho certeza que vai sair algo legal =D

  2. ai gente, quero muito ver essa coisa toda crescer! depois de toda a nossa discussão acerca disso, eu realmente estou entendendo melhor o seu ponto de vista e aonde você quer chegar. :)

    e vou ficar muito puto se não receber um agradecimento especial (#aquelaciumenta) <3

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