Felicidade Demais

Acabei de ler mais uma coletânea de contos da Alice Munro. Essa se chama Felicidade Demais e, diferente de Fugitiva, dessa vez não foram só histórias focadas em mulheres, mas continuam sendo contos sobre pessoas perdidas que aparentam ser mundanos, mas que sempre terminam te dando aquele soco no estômago que todo conto muito bom tem a obrigação de dar.

Meu favorito foi o Brincadeira de criança, que li numa sentada e, ao fim, precisei fechar o livro e me recuperar.

Aqui estão algumas das frases que mais gostei:

Quando chegou o vinho, e fizemos os pedidos, ela disse: “Tem uma coisa que eu acho que você precisa saber”.

Essas devem ser as palavras mais desagradáveis que uma pessoa tem que ouvir na vida. Há uma boa chance de que aquilo que você devia saber seja um fardo pesado, e de haver ainda uma insinuação de que outras pessoas tiveram que carregá-lo sozinhas, enquanto você foi, por algum motivo, poupado esse tempo todo.

Você acha que isso teria mudado alguma coisa?

A resposta é claro que sim, por algum tempo, e nunca.

Acho que sempre que passávamos pela casa amarela minha mãe dizia: “Lembra? Lembra como você tinha medo dela? Coitadinha”.

Minha mãe tinha o costume de não esquecer – até mesmo cultivar – os pontos fracos da minha infância distante.

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