Monthly Archives: August 2013

Clear eyes, full hearts, can’t lose!

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“Todo homem, em algum momento de sua vida, vai perder uma batalha. Ele vai lutar e vai perder. Mas o que faz dele um homem é que ele não se perde no meio da batalha. Esse jogo ainda não acabou, essa batalha ainda não acabou.”

Comecei a assistir Friday Night Lights porque estava sem seriado pra ver e já tinha escutado falar muito bem dessa série. Depois vi que ela entrou na lista de melhores roteiros de todos os tempos e fiquei ainda mais curiosa. Os dois ou três primeiros episódios da série assisti de uma só vez e fiquei impressionada com, logo no começo, eles me fizeram gostar e me importar com algo que eu não conheço, não gosto e nem mesmo tenho interesse: futebol americano.

“São só um bando de jogadores supervalorizados, muito burros pra perceber que não têm futuro, brigando por causa de um jogo que não significa nada, numa cidade de onde não dá pra escapar.”

Acho que só isso já mostra aquilo que é ensinado por todos os bons escritores: os personagens são a história e o seu principal objetivo deve ser fazer com que as pessoas se importem com eles. Eu realmente me importo com os personagens de Friday Night Lights, a ponto de torcer por eles e chorar com eles e comemorar quando eles conseguem uma vitória. Não só no futebol americano, claro, mas na vida. Porque dizer que Friday Night Lights é uma série sobre futebol americano é a coisa mais simplista e falsa que eu poderia imaginar. Não é. É sobre pessoas que vivem numa cidade pequena que, por acaso, são fanáticas pelo time de futebol americano da escola local. Mas não são os jogos que importam aqui, e sim as vidas das pessoas.

Até agora, eu chorei umas cinco ou seis vezes. Chorei quando o Smash perdeu a bolsa de estudos e depois chorei de novo quando ele conseguiu entrar na faculdade, chorei quando o Matt deixou a avó na casa de saúde, chorei com a Tyra em tantos momentos que nem consigo contar. Ontem, vendo o fim da terceira temporada, eu chorei mais uma vez com a carta que ela escreveu para a faculdade em que estava tentando entrar. A narração dela e as imagens dos outros personagens, foi tudo tão perfeito que me tocou profundamente. Uma das melhores cenas que já vi em todos os meus anos de vício em séries de televisão. Coloco aqui o texto, pra me lembrar o que a escrita pode causar nas pessoas quando feita com qualidade e amor.

“Dois anos atrás, eu tinha medo de querer qualquer coisa. Eu sabia que para querer eu ia precisar tentar e tentar significava falhar. Mas agora eu não consigo parar de querer. Eu quero viajar para algum lugar de primeira classe. Eu quero ir para a Europa em uma viagem de negócios. Eu quero ser convidada para visitar a Casa Branca. Eu quero aprender sobre o mundo. Eu quero surpreender a mim mesma. Eu quero ser importante. Eu quero ser a melhor pessoa que posso ser. Eu quero definir a mim mesma ao invés de deixar os outros me definirem. Eu quero ganhar e ver as pessoas ficarem felizes por mim. Eu quero perder e superar. Eu quero não ter medo do desconhecido. Eu quero crescer para ser generosa e gentil, da mesma forma que as pessoas foram comigo. Eu quero ter uma vida interessante e surpreendente. Não é que eu pense que vou conseguir todas essas coisas, eu só quero a possibilidade de poder tê-las. A faculdade representa essa possibilidade. A possibilidade de que as coisas irão mudar. Mal posso esperar.”

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