Deuses Americanos

Acabei de terminar a leitura de Deuses Americanos do Neil Gaiman e gostei bastante, embora eu tenha ficado confusa em diversos momentos graças ao meu conhecimento nulo em mitologia. Pretendo ler novamente, depois de estudar mais sobre o assunto e aí for capaz de entender direito essa importante parte da história.

De qualquer forma, Neil Gaiman é sempre bacana porque ele tem uma voz única e uma gigantesca capacidade de criar um mundo de fantasia imenso e, ao mesmo tempo, completamente verossímil. Isso é algo mega complicado e uma das coisas que mais me frustra em livros de fantasia, porque fica completamente óbvio quando o autor não conhece as regras do próprio mundo e começa a inventar no meio do caminho. Pra mim, isso é trapaça. E, com o Neil Gaiman, eu sempre me sinto completamente segura em acreditar no que ele me conta, justamente porque o controle que ele tem da história é tão grande que, mesmo quando você não tem muito conhecimento sobre o tema (como eu em mitologia), fica impossível acordar do sonho ficcional.

Separei algumas das minhas frases favoritas do romance.

Estava com frio demais para tremer. Seus olhos doíam. Não estava simplesmente frio: aquilo era ficção científica. Era uma história que se passava no lado escuro de Mercúrio, no tempo em que se achava que o planeta tinha um lado escuro. Isso era algo que acontecia no rochoso Plutão, onde o sol é apenas mais uma estrela que brilha só um pouco mais forte na escuridão. Isso, pensou Shadow, está só um tiquinho afastado dos lugares em que o ar vem em baldes e é servido como cerveja.

É como se não tivesse ninguém aí. Sabe? É tipo um buraco no mundo, grande, sólido e em forma de homem.

A raposa chegou aqui primeiro e o irmão dela era o lobo. A raposa disse que as pessoas vão viver para sempre. Se morrerem, não vão ficar mortas por muito tempo. O lobo disse que não, as pessoas vão morrer, as pessoas precisam morrer, elas precisam morrer, ou vão se espalhar e cobrir o mundo, e comer todos os salmões e caribus, e todos os búfalos, vão comer todas as abóboras e todo o milho. Daí um dia o lobo morreu e disse para a raposa trazê-lo de volta à vida. A raposa disse que não, os mortos tem que ficar mortos. Você me convenceu disso. E ela chorou quando disse aquilo. Mas ela disse aquilo, e ponto final. Agora o lobo manda no mundo dos mortos e a raposa vive para sempre sob o sol e sob a lua, e ainda chora pelo irmão.

Assim sua mãe morreu enquanto ele estava sentado ao lado dela, lendo um livro grosso.

Depois daquilo, ele quase parou de ler. Não dá pra acreditar em ficção. Para que serviam os livros, se não eram capazes de proteger a gente de algo assim?

Sabem, acho que prefiro ser homem do que deus. A gente não precisa de ninguém para acreditar na gente. A gente vai seguindo em frente de qualquer jeito. É o que fazemos.

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