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A lava é de verdade pra mim

Eu acho que todo mundo sabe que eu sou apaixonada pelo seriado Community por diversas razões. Mas eu não quero comentar sobre essas razões (e sobre como o seriado é genial e todo mundo deveria assistir) nesse post. Eu quero falar sobre como o último episódio que passou me tocou profundamente e disse coisas que eu tento dizer todo o tempo na minha vida, mas nunca tinha encontrado uma forma.

Mas, pra isso, eu preciso falar de um dos motivos que me fazem amar tanto Community: Abed Nadir. E mais outro: Abed Nadir e Troy Barnes. Não é incomum um seriado de comédia ter um personagem como Abed. Aquele esquisito, com dificuldade de entender as pessoas, que vive em seu próprio mundo e não tem traquejo social. Mas o que diferencia Community de todos os outros seriados que usam esse tipo de personagem, é que Abed não é a piada. Claro, eles já fizeram piadas com a incapacidade de entender sentimentos ou se adaptar a mudanças do personagem, mas nunca é tirando sarro das dificuldades e deficiências que ele tem. E, no fim das contas, o Abed é o herói de Community. Não é só o compasso moral da série, como, de maneira estranha e nem um pouco óbvia, é o coração.

A amizade dele com o Troy foi construída ao longo de 5 temporadas (embora eu finja que a quarta não exista) e, com certeza, era um dos pilares de Community. Acontece que o ator que faz o Troy, o Donald Glover, decidiu sair da série e, com isso, a pergunta do que seria feito de Abed ficou na cabeça de todos nós, já apegados a ele e aos dois juntos. Pois bem, o que acontece com o Abed foi mostrado nesse último episódio, e me fez chorar mais que qualquer outro seriado que já vi.

Com a desculpa de se despedir de Troy em grande estilo, o Abed inventa com jogo chamado Hot Lava na faculdade, em que todos devem fingir que o chão agora é lava. Ninguém pode pisar no chão e o último que ‘sobreviver’ ganha. Acontece que, enquanto todos estão brincando, Abed não está. O chão é realmente lava pra ele, porque o Troy está indo embora. Tem uma fala que me tocou profundamente: “Não é um jogo pra mim, Troy. Eu estou vendo lava de verdade porque você vai embora. Eu não queria ser louco, mas eu sou.”

Eu sempre me identifiquei com Abed, e nesse momento eu não poderia sentir mais do que senti. Quantas vezes eu quis explicar pra alguém exatamente isso que ele falou. Não, eu nunca vi o chão virar lava de verdade. Mas eu já me senti assim, exatamente assim. E seria tão fácil explicar dessa maneira: A lava é de verdade pra mim. Tão simples. Eu comecei a chorar nessa cena e só parei depois que acabou o episódio. Ainda me dói pensar, me faz lembrar quantas vezes a lava foi de verdade pra mim, mas ninguém mais conseguia ver, e eu não contei.

Sempre pensei que eu era uma versão menos estranha do Abed, com mais habilidades sociais e menos deficiências. Mas dessa vez ele me passou, e eu não só senti, mas aprendi com ele. Às vezes, você precisa avisar que aquilo que está acontecendo não é brincadeira pra você. Às vezes, as pessoas não enxergam ou sentem o mundo da mesma forma que você, e não é culpa delas! Elas não sabem que precisam estirar a mão e tirar você do lugar onde ficou ilhado, simplesmente porque não conseguem ver lava. Então você precisa avisar que é real, e machuca.

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