New and Black

Meus dois seriados favoritos entre os lançados em 2013 tem a palavra Black no nome: Orphan Black e Orange is the New Black. Além disso, eles também são parecidos por colocar mulheres no papel principal, sendo heroínas (ou anti-heroínas) de suas próprias histórias. Eu realmente não estava esperando dois seriados tão bons e tão preocupados em representar bem as mulheres, e foi uma surpresa maravilhosa encontrá-los e assistir cada um dos episódios no ano passado.

Orphan Black é a história de uma mulher chamada Sarah, que se envolveu com algumas coisas ilícitas e, por isso, se afastou da filha, mãe adotiva e irmão adotivo por um tempo. O seriado começa com ela voltando, querendo retomar sua vida acertar os erros que cometeu no passado. Enquanto espera o trem, no entanto, Sarah vê uma mulher se suicidar bem na sua frente e, como se isso não fosse o suficiente, essa mulher é exatamente igual a ela. Sendo a pessoa moralmente ambígua que é, Sarah enxerga a situação como uma possibilidade e decide roubar não só a bolsa, mas a identidade da possível ‘gêmea’ suicida, quando descobre que esta tem em conta uma grande quantidade de dinheiro, o suficiente para Sarah colocar sua própria vida nos eixos. Acontece que, ao tomar o lugar dessa mulher, Sarah acaba caindo dentro de um furação que ela nem sabia existir e do qual ela não consegue sair.

A série fala de identidade, ciência, religião, ética, família, relacionamentos e objetificação de pessoas de maneira bastante original e inteligente. A atriz principal, Tatiana Maslany, é um gênio. Sério. Acho que todo mundo sabe que é um seriado de ficção científica sobre clones, então não é spoiler contar que ela interpreta mais de meia dúzia de personagens durante os 10 episódios da primeira temporada, e cada uma das mulheres tem seus próprios maneirismos, sua própria voz, seu próprio olhar e forma de enxergar o mundo. O trabalho dela é tão preciso e tão brilhante que, lá pra o terceiro episódio (quando você parou de se surpreender também com a qualidade técnica do seriado), eu me esqueci completamente que era a mesma atriz. De verdade. Em algum momento eu estava pesquisando sobre os atores e me veio que Sarah, Alison, Cosima, Helena, Rachel… todas elas eram a Tatiana Maslany. É como disse uma reportagem que li sobre o seriado: Tatiana Maslany entrou dentro do personagem, encontrou uma voz única, uma jeito de se mexer e de interagir com o mundo único, mergulhou em seus dramas e medos e desejos… e depois fez isso de novo, mais seis vezes. E ainda tem aqueles momentos de completa insanidade, quando ela interpreta uma das personagens interpretando outra, e você consegue perceber só de olhar pra ela. É algo inacreditável. Já vi muitas interpretações ‘múltiplas’ boas (como a Toni Collette em United States of Tara), mas nenhuma chegou aos pés do que a Tatiana Maslany conseguiu em Orphan Black.

Orange is the New Black foi lançada pelo Netflix porque nenhum canal de televisão achava que uma série que se passa em uma prisão feminina daria certo. Ainda mais porque a criadora do seriado tinha em mente escolher atrizes de todas as cores e medidas, na intenção de representar o ambiente de maneira realista e fugir da imagem de ‘modelo’ que as mulheres acabam tendo nos programas de televisão. Bom, uma péssima decisão para os canais, já que Orange is the New Black é um sucesso de público e crítica, e deve ter uma vida longa pela frente.

Piper Chapman é uma vive uma vida privilegiada em Nova York, com seu noivo e sua marca de sabonetes e cremes naturais, até que uma quadrilha de tráfico internacional é desmontada e o nome dela surge durante as investigações. Há mais de uma década, ela carregou uma mala cheia de dinheiro de tráfico durante uma viagem, fazendo um favor para a namorada traficante internacional, e, mesmo tendo sido aquela a única vez (e o crime estar próximo de ser prescrito), ela acaba sendo condenada a cumprir 18 meses de pena em uma prisão federal.

Lá, ela encontra mulheres de todos os tipos e, através dos olhos de ‘estranha no ninho’ dela, nós também vamos descobrindo suas histórias. É uma ‘dramédia’, ou seja, mistura drama com comédia de humor negro. Tem um elenco maravilhoso, com algumas atrizes que nunca tiveram chance de trabalhar em algo do tipo (inclusive uma mulher trans, fazendo o papel de uma mulher trans). E a história é muito bem estruturada, especialmente depois que você termina de assistir e percebe que o ‘drama principal’ estava sendo construído desde o começo e foi crescendo de uma maneira que você não nota logo de cara, mas que depois fica óbvio o que ia acontecer.

Eu amei. É uma série feita por mulheres, com mulheres e para mulheres, mas que também deve agradar homens, já que é extremamente bem escrita, atuada e dirigida. As personagens são muito marcantes e fogem completamente do maniqueísmo, você acaba esquecendo que elas são criminosas até que elas fazem algo que te lembra disso, mas mesmo assim fica impossível deixar de torcer por elas. Tem momentos hilários, assustadores e outros extremamente tocantes.

Além de, claro, ter um dos meus amores televisivos de 2013: Alex Vause. Eu jogaria a minha torta pela Alex Vause!

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