No caixa

Das mãos rápidas, que cobravam as compras com gestos automáticos, surgiam braços pontilhaços e cobertos por pelos avermelhados. O rosto também tinha a tendência a ficar daquela cor, disfarçando as sardas espalhadas da testa até o queixo e de orelha a orelha, nas raras oportunidades em que ele encontrava os olhos dos clientes – especialmente se eram seus colegas da escola.

Quando não corava, sua pele era muito branca, quase transparente, totalmente invisível quando a pessoa do outro lado estava apressada o suficiente. Mas nem sempre era assim. Se ao menos pudesse usar um boné… o gerente disse que era contra as normas da casa e que ele tomasse vergonha na cara. Mas vergonha era algo que ele já tinha, até demais.

Era um fantasma pegando fogo escondido atrás do caixa de um supermercado.

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