O homem que veio do céu

O homem que veio do céu

Tem buracos entre os dedos

E um corpo carnívoro

 

Deixou a varanda e a porta destrancada

Escolheu usar as estrelas de cobertor

Amanhecer com o sol abrindo seus olhos

 

O homem que veio do céu

Tem uma máquina do tempo viajando pelo espaço

Noite grudenta, feita de geleia preta sem estrelas

Continentes se afundando no azul salgado

Uma bomba que separou e uniu tudo que recheia o tudo

 

Na estrada dentro do espelho

O homem que veio do céu matava a fome do seu corpo

Um ursinho brincando na grama

A mãe agarrada ao filho caindo de um precipício

As crianças com armas virando monges

 

Mas a distância não deixava rebobinar a sua alma

Passos para frente arrastando o passado pelo chão

Corpo quebrado e esquecido

Olhos incapazes de mudar a sua direção

 

O homem que veio do céu

Via a vida de cima, do topo, de fora

Uma explosão de cores viajando do dedão do pé até os cabelos

Combinada com a inescapável presença de passos invisíveis, mas ainda sonoros

 

O homem que veio do céu ainda está lá

Vivendo infinitamente o começo e o fim

Abençoado com a maldição da impossibilidade

Das mãos dadas na subida de uma montanha-russa

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