50 mil palavras em um mês, 4 anos depois

Eu participei (e ganhei) do NaNoWriMo de 2010. NaNoWriMo vem de National Novel Writing Month, acontece todos os anos em novembro e a ideia é que todos os participantes escrevam, durante aquele mês, uma história de ficção com, no mínimo, 50 mil palavras. Então, eu participei naquele e consegui terminar o desafio, mesmo tendo começado com somente uma ideia e uma personagem. A ideia era questionar o que faz alguém humano num mundo completamente dependente de máquinas, e a personagem era um robô em forma de menina chamado Alex.

Eu escrevi e escrevi, tive uma infecção de garganta forte que me deixou de cama durante uma semana, e da qual tive que me recuperar depois para conseguir dar conta de escrever as 50 mil palavras necessárias para vencer o NaNoWriMo.

Aprendi muitas coisas naquele novembro. Primeiro, eu consegui terminar uma história relativamente longa. Não foi fácil e, muitas vezes, eu me vi perdida e sem saber como continuar. Mas, eu realmente achava que se queria ser uma escritora no futuro, aquilo era algo que eu tinha de concluir. Mas, mais importante, eu aprendi a desligar o meu editor interno e escrever sem parar. Todos os rascunhos são ruins, ao mesmo tempo em que todos os rascunhos são perfeitos porque a função deles é essa: serem escritos. Não é possível terminar o rascunho de algo se você analisar demais, se criticar sem parar. Em algum momento, acaba travando, se bloqueando criativamente porque sempre que vai escrever, encontra a companhia daquela voz chata na sua cabeça dizendo que está uma porcaria, a escrita é infantil, os personagens tem a mesma voz, o plot está cheio de buracos e é melhor jogar no lixo.

Essas críticas são, em maioria, verdadeiras. Mas tudo bem. Escrever bem é saber reescrever e, muitas vezes, você só sabe como contar uma história depois de contá-la pela primeira vez. Eu aprendi isso com o NaNoWriMo. Escrevi o rascunho de um romance, ficou muito ruim, mas era meu e eu ainda tinha a ideia, ainda tinha a personagem. Agora, também tinha um ponto de partida. E o usei.

Depois de mais uma versão pouco satisfatória, uma estruturação cirúrgica e o apontamento de todos os problemas, estou terminando essa história de ficção mais uma vez. Não vai ser a última. Já estou planejando novas mudanças para novos problemas que apareceram mas, cada vez mais, o texto está ficando parecido com aquela imagem que eu tinha na minha cabeça quando comecei no dia 1 de novembro de 2010. Eu não fazia ideia de onde aquilo ia me levar e, mesmo hoje, sabendo o que preciso, ainda me surpreendo todos os dias quando sento para escrever. Essa é a beleza da profissão, e também um dos sinais que aprendi a reconhecer de que estou indo pelo caminho certo.

Eu vou terminar este romance até o fim do ano. Terminar mesmo, última versão, última edição, última revisão. Eu trabalho melhor com prazos (NaNoWriMo me ensinou isso também), e é sempre bom propor desafios para si mesmo. Não sei como vou me sentir quando isso acontecer, mas me lembro como eu me senti quando terminei aquelas 50 mil palavras em 2010. Realizada e orgulhosa de mim mesma. Se, ao fim desse ano, sentir um tantinho daquele gosto, já ficarei feliz.

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