Além das distopias adolescentes

Aí eu vi no cinema o trailer de O doador de memórias (ou algo assim) e só consegui sentir uma pontada de tristeza. Todas as ficções juvenis de hoje são, basicamente isso: distopia + adolescente especial + luta pela recuperação da liberdade e individualidade. As primeiras 3 vezes que contaram isso, ok. Mas, agora, toda ficção juvenil segue essa mesma fórmula.  E pior é que tudo vem maquiado com uma cara de profundidade, ousadia, inteligência.

Eu não sei…. gostava mais quando a ideia era que as pessoas conhecessem distopias por algo assim e depois lessem Admirável Mundo Novo, 1984, Nós, Fahrenheit 451, Laranja Mecânica, etc. Talvez eu esteja velha e rabugenta, mas li esses livros durante a minha adolescência e acho que dá pra os leitores que gostam dessas ideias realizarem a transição para esses clássicos sem muitos problemas, ao invés de ler sempre a mesma história reciclada milhões de vezes.

Pequena lista, então, pra quem gosta de distopias e tem interesse em conhecer a fonte de onde toda essa onda adolescente está bebendo.

 

Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley

Admirável Mundo Novo, do Aldous Huxley, foi publicado em 1932. A história se passa em um futuro onde as pessoas são condicionadas biologicamente e psicologicamente a viverem em harmonia com as leis e regras sociais, dentro de uma sociedade organizada por castas. Os valores morais dessa sociedade são completamente diferentes dos nossos, assim como os costumes: família, por exemplo, é um conceito que não existe. Qualquer dúvida e insegurança dos cidadãos era dissipada com o consumo da droga sem efeitos colaterais aparentes chamada “soma”. Bernard Marx é o personagem insatisfeito com o mundo e, quando visita uma reserva histórica e encontra os ‘selvagens’ (como se fossem indígenas, pessoas que foram criadas e vivem fora dessa sociedade controlada), ele conhece John. A partir daí o livro passa a contrapor essa civilização ultra-estruturada e as impressões humanas do selvagem John, um estranho no meio de todos, que acaba criando um fascínio e repulsa pelos habitantes do tal Admirável Mundo Novo.

 

1984, George Orwell

1984, de George Orwell, foi escrito em 1948 e retrata uma sociedade que vive sob um regime político totalitário e repressivo. Nesse mundo, Orwell mostra que uma sociedade coletivista pode reprimir qualquer individualidade e dar um fim em qualquer pessoa que se opuser a ela. O símbolo desse regime é o Grande Irmão, uma figura que os cidadãos são ‘obrigados’ a amar, que vê tudo o que eles fazem e controla até mesmo o que eles pensam. Winston Smith, no meio disso tudo, tenta encontrar uma forma de escapar da vigilância constante e descobrir os segredos do partido.

Fahrenheit 451, Ray Bradbury

Fahrenheit 451, de Ray Bradbury foi publicado primeira vez em 1953. O romance se passa num futuro onde os livros são proibidos, opiniões são consideradas atos egoístas e antissociais e o pensamento crítico é suprimido. Guy Montag é um bombeiro, função que, na história, significa queimar os livros escondidos ilegalmente pelas pessoas. Junto com seus companheiros de profissão, ele vai até a casa de uma senhora que se recusa a sair e deixá-los queimar seus livros. Ela chega ao ponto de não sair e acabar queimada viva junto com as obras. Aquela ação tem um efeito grande em Montag, tanto que ele rouba um livro antes de todos serem queimados. Aquele ato de rebelião o desperta daquela vida de ignorância e ele começa a questionar a si mesmo, sua profissão e seu mundo.

Nós, Yevgeny Zamyatin

Nós, do russo Yevgeny Zamyatin, é considerado um dos ‘pais’ da ficção distópica. Escrita entre 1920 e 1921, o livro conta a história de D-503, um cientista que vive numa sociedade aparentemente perfeita, mas extremamente opressora. No mundo inventado por Zamyatin, as casas (e quase tudo mais) são feitas de vidro e materiais transparentes, todos são visíveis e um cidadão é o vigia de seu vizinho. O romance foi a inspiração pra Orwell e, dizem, Huxley, ao escreverem suas próprias obras distópicas.

Laranja Mecânica, Anthony Burgess

Laranja Mecânica, de Anthony Burgess, foi publicado em 1962. A história se passa numa Inglaterra futurista (mas um futuro próximo), onde cresce uma cultura de extrema violência juvenil da qual faz parte Alex, o narrador e protagonista do romance. Ao ser preso, depois de acidentalmente matar uma senhora, Alex é usado como cobaia numa experiência que tem como objetivo reformar criminosos violentos com uma lavagem cerebral que os faria sentir dor toda vez que pensassem em violência.

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