As (quase) resoluções

Eu nunca fiz as famosas listas de resoluções de final de ano. Sempre achei besteira tentar planejar alguma coisa desse tipo, porque a probabilidade de você não cumprir o que prometeu são enormes e, no final, isso só vai servir para que você se sinta mal no fim do próximo ano, quando percebeu que não foi capaz de fazer metade dos itens da lista.

No ano passado, no entanto, eu resolvi prometer duas coisas para mim mesma: em 2014 eu me tornaria uma pessoa mais saudável e terminaria de escrever meu romance.

Se eu parar para analisar as duas coisas friamente, vou realmente ter falhado nas duas únicas resoluções de ano novo que fiz na vida. Mas, quando eu digo para mim mesma que não consegui, não parece certo. Eu posso não ter conseguido atravessar 100% do caminho dessas duas promessas, mas eu avancei bastante nas duas e, mais importante, eu me esforcei em cada um dos passos. E, no final, eu acho que isso é o mais importante.

Fazendo um balanço:

1) Me tornar uma pessoa mais saudável

Uma resolução bastante ampla, já que a definição de saudável é grande o suficiente para caber muitas coisas. Fisicamente, eu acho que descobri como tratar melhor o meu corpo, especialmente porque não larguei o tênis de mesa (completei 1 ano fazendo) e descobri meus limites, acabei ultrapassando alguns deles e colocando novos limites para mim mesma.

Mentalmente, esse ano não foi dos piores também. Quer dizer, eu sofro e vou sempre sofrer de transtorno de ansiedade generalizada (porque eu estou começando a acreditar que não existe uma cura para isso depois que se cruza uma certa linha, que eu já passei faz tempo), mas estou aprendendo a lidar melhor com isso. Eu tive alguns altos e baixos, que acabaram aumentando a quantidade de remédio que tomo, mas eu também decidi parar de enxergar a necessidade de tomar remédios psiquiátricos como algo que me faz ser fraca ou algo do tipo. Eu lutei contra o estigma esse ano, especialmente com aquele internalizado. Eu tenho um transtorno mental, eu estou cuidando dele e eu não sou fraca por causa disso, ao contrário, eu sou muito forte, porque é preciso ter muita coragem para viver quando se tem um medo irracional de tudo e qualquer coisa.

Agora, no fim do ano, eu também tomei a decisão de enfrentar alguns medos e ansiedades para cuidar de mim. Porque eu mereço. E não foi só no nível físico, mas também no psicológico e social. Não existe lógica em manter coisas, sentimentos e pessoas na sua vida se elas não te acrescentam nada de bom. É preciso cultivar hábitos, sentimentos e relacionamentos saudáveis para se tornar uma pessoa saudável.

Não fiz isso 100%, como já admiti, mas descobrir e admitir o problema é o primeiro passo para resolvê-lo. E também sei que isso de ter uma vida saudável (física e emocional) é um projeto longo e para muitos anos, talvez uma vida inteira. Mas, fico feliz de ter dado o primeiro passo neste ano.

2) Terminar de escrever o meu romance

Eu estou trabalhando nele, com pausas menores e maiores, há 4 anos. Comecei a escrever uma versão mais definitiva no ano passado e, aí, na virada para 2014, achei que seria uma boa ideia fazer a resolução de que iria terminar de escrevê-lo neste ano. Não consegui. Eu sei que escritores são os melhores procrastinadores, mas eu juro que me esforcei muito. Acontece que eu sou daquele tipo que não consegue escrever seguindo o rio, eu preciso planejar, estruturar, montar as cenas, personagens, diálogos, tudo. Acabo levando um tempo muito maior no planejamento que na escrita em si. E é por isso que, sim, eu tenho todos os 14 capítulos do meu romance planejados, mas ainda estou na metade do capítulo 11 e será impossível terminar o livro nos próximos dias. Eu espero terminar o capítulo 11 até 2015 e, nos primeiros meses do ano, terminar o livro.

Mas, assim como na primeira resolução, não consigo considerar isso uma derrota. Porque escrever é difícil, te deixa esgotada e dolorida, e eu tenho uma baixa tolerância à dor. Cada um desses 10 capítulos terminados deixou marcas em mim, e, mesmo quando criança, eu nunca consegui puxar um band-aid de uma vez só. Eu preciso de água, sabão, ir tirando de pouquinho em pouquinho.

Quando eu fiz a promessa no fim do ano passado, eu não tinha a menor ideia se ia conseguir chegar tão longe quanto estou agora. E, mesmo não tendo terminado tudo antes da virada, eu sei que vou conseguir e que vai ser em breve. E isso é mais do que eu poderia pedir em 2013.

Para fechar: eu não acho que vou fazer resoluções para 2015, eu realmente só quero escrever melhor e trabalhar para ser uma pessoa melhor, mas essas não são promessas para um ano, são as linhas guia da minha vida.

Advertisements

2 thoughts on “As (quase) resoluções

  1. Moon Valkyrie says:

    “é preciso ter muita coragem para viver quando se tem um medo irracional de tudo e qualquer coisa.”

    É isso, apenas. Queria entender isso de verdade, sabe..E queria que as pessoas entendesse tbm.

    • Ju, eu demorei muito pra aprender isso e não posso dizer que compreendo 100%. Mas uma vez eu li falando que perguntaram pra um bombeiro que sofria de ansiedade se ele achava pior entrar num prédio em chamas ou ter um ataque de pânico, e ele disse que o ataque de pânico era bem pior e que ele entraria em 10 prédios em chamas pra não ter 1 ataque de pânico.
      Precisar ter mais coragem que a maioria das pessoas para fazer coisas banais é horrível, mas também mostra o quanto somos fortes por conseguir vencer isso.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: