Através do espelho preto, e o que nós encontramos lá

A vida moderna é um lixo (digital)

Finalmente terminei de assistir todos os episódios disponíveis de Black Mirror (3 da primeira temporada, 3 da segunda e 1 especial de Natal; a próxima temporada vai ser produzida pelo Netflix). As recomendações não estavam exagerando, é realmente um seriado incrível desde a ideia até toda a realização. É até estranho comparar com outros seriados (inclusive os bons) que tem muitos episódios e perceber que Black Mirror disse muito mais em 7 episódios de a maioria consegue em todas as suas temporadas.

Para quem não conhece: a série tem como tema geral a tecnologia e como esta afeta a vida das pessoas. Os episódios são independentes, com personagens e universos que não tem ligação alguma entre si. Por conta do formato, dava pra esperar que Black Mirror não fosse consistente, tivesse grandes variações na qualidade, mas não é o caso: os episódios vão de muito bons até ‘meu deus do céu o que é essa maravilha inacreditável que eu acabei de assistir’.

Cada episódio tem um elenco diferente, um universo diferente, até uma realidade diferente. Mas todos são sobre como nós vivemos hoje em dia – e como poderemos viver daqui a 10 minutos, se não tomarmos cuidado. (Charlie Brooker)

Outra coisa que poderia dar errado é essa ideia de escolher o tema antes das histórias. Tá na cara que os roteiristas foram instruídos a escrever sobre a tal ‘vida moderna’ em que somos meio humanos-máquinas por conta da nossa relação com a tecnologia. Normalmente, eu tendo a acreditar que esse tipo de abordagem não funciona, porque os personagens e a história passam a ser um veículo para o tema e fica mais difícil que o receptor se apegue, se importe com aquelas pessoas e o que elas estão passando.

Felizmente, isso não acontece em Black Mirror. Todas as histórias, sem exceção, são guiadas pelos personagens e todos eles muito humanos, tão humanos que todo o absurdo digital ao redor deles se torna apenas o cenário para dramas que poderiam, e são, vividos por qualquer um de nós.

Meus episódios favoritos foram: Be Right Back, sobre uma mulher descobre um serviço que pode trazer seu marido falecido de volta ao mundo através de um avatar virtual; White Bear, sobre um mulher que acorda sem se lembrar de nada de sua vida e descobre um mundo onde algumas pessoas se tornaram espectadores hipnotizados por câmeras e outras selvagens caçadores; White Christmas, sobre dois homens isolados no meio do nada que aproveitam a ceia de Natal para contar histórias de suas vidas onde houve algum tipo de descontrole tecnológico.

(Um aviso: essas são as sinopses oficiais, mas a maioria dos episódios tem viradas inacreditáveis, então nada é exatamente o que parece ser)

Se a tecnologia é uma droga – e se parece com uma droga – então quais são, precisamente, os efeitos colaterais? Essa área – entre o prazer e o desconforto – é onde se passa Black Mirror, minha nova série. O ‘espelho preto’ do título é aquele que você encontra em todas as paredes, em todas as mesas, na palma de cada mão: a fria, brilhante tela de uma TV, um monitor, um smartphone. (Charlie Brooker)


 

Sobre o que estou jogando: Finalmente comecei a jogar Life is Strange. Tô pra jogar desde que fiquei sabendo que existia (ou ia existir, já que eu lembro de ter lido algumas reportagens sobre o jogo antes dele sair). Estou gostando muito. Além dele ser visualmente lindo e ter uma trilha sonora maravilhosa, os personagens são muito reais e todos os momentos me deixam com o coração na mão – seja por medo de estar fazendo uma merda gigantesca, ou por que a história é mega tocante.

Sobre o que estou ouvindo: Adrien Gallo. Eu gostava da banda dele, o BB Brunes, mas gostei ainda mais desse trabalho solo. É completamente diferente, nem sei se a intenção dele era atingir o mesmo público, mas foi uma mudança muito bem vinda (pelo menos para mim). Só queria mesmo encontrar mais letras das músicas na internet, porque eu gosto de saber o que está sendo cantado e o meu francês é inexistente.

Sobre o que estou assistindo: Yay! Supergirl voltou! E ainda não vi o novo Sherlock, mas está nos planos para amanhã.

Sobre o que estou lendo: Zadie Smith experimenta muito mais com a linguagem e narrativa em NW que em White Teeth. Dei uma estranha no começo, mas acho que já me acostumei. O que não mudou, no entanto, é o cinismo com que ela trata a história e as personagens. Até então, estou gostando bastante.

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