O que era simples durante a noite, pela manhã…nunca é

Life is Strange
Ontem de noite eu terminei de jogar Life is Strange. Não era bem a intenção mas, quando eu vi o fim do episódio 4, não teve como escapar de começar o 5 e, daí pra perceber que eu não ia parar até terminar, não demorou muito.

Para quem não conhece (e também para tentar convencer todo mundo a jogar): o jogo conta a história de Max Caulfield, uma adolescente de 18 anos que volta para a cidade onde cresceu para terminar o colegial numa escola especializada em arte porque sonha em se tornar uma fotógrafa. Logo no início da história, ela presencia o assassinato de uma garota e, no meio do choque, descobre que consegue voltar no tempo. Ela usa esse poder para salvar a tal garota, que depois descobre ser Chloe, sua melhor amiga de infância, que agora vive com vários traumas, entre eles o fato de uma amiga ter sumido recentemente. Max resolve que vai ajudar Chloe a descobrir o que aconteceu com a amiga desaparecida, o que não deve ser muito difícil, né, já que agora ela conta com superpoderes de alterar o tempo e o espaço?

Aham, senta lá, Claudia. A merda começa a acontecer quando, ao que tudo indica, os poderes de Max estão alterando a realidade e fazendo acontecer coisas bizarras pela cidade: neve fora de época, morte de animais, eclipses, etc. Para piorar ainda mais a situação, Max começa a ter visões de um tornado se aproximando de Arcadia Bay, e tudo leva a crer que isso vai se tornar uma realidade.

Life is Strange foi lançado em episódios e o formato é basicamente: eles te dão algumas escolhas em várias situações e, dependendo do que você fizer, a história vai mudando e se adaptando às suas ações. Eu adorei, porque adoro esse tipo de formato. Os personagens são muito bem feitos, muito mais reais do que a maioria dos que você vê em jogos de videogame. E os temas também são bem mais pesados do que o que é comum: transtornos mentais, bullying, suicídio, agressões sexuais, abusos de drogas. E tudo é tratado com muito cuidado, respeito e sem qualquer romantização.

SPOILER ALERT
Eu estava esperando algo trágico, e claro que eles nos dão uma última escolha impossível: salvar Arcadia Bay (cidade onde o jogo de passa) ou salvar a Chloe (melhor amiga, possivelmente algo mais dependendo das suas escolhas, da Max). Eu queria mais que dois finais e super entendo as pessoas dizendo que as nossas escolhas durante todos episódios deveriam, de alguma forma, influenciar o final. Eu também acho, seria mais emocionalmente recompensador se tudo o que você fez influenciasse de alguma forma o que acontece no final. Mas, de certa forma, o que você escolhe durante o jogo influencia você mesmo e a sua visão sobre a cidade e os personagens, o relacionamento entre as duas personagens principais, seu apego emocional, etc. E isso é essencial para a última escolha. Se você se apegou mais ao universo e aos muitos personagens, provavelmente vai sacrificar uma garota cheia de traumas e transtornos, com uma vida de merda que só começou a melhorar depois que você a ajudou, para salvar Arcadia Bay. Se você se apegou mais ao relacionamento das duas personagens, como elas lutaram para reconquistar o amor/amizade/confiança uma da outra e todo o esforço da Max em tentar melhorar (e salvar) a vida da Chloe, provavelmente vai sacrificar um monte de gente inocente para salvar uma única pessoa.
Eu sacrifiquei Arcadia Bay para salvar a Chloe. Bae before Bay (guilt but no regrets). Foi tenso, viu? Especialmente porque o jogo deixa claro que tudo é uma reação ao fato da Chloe estar viva e que direito você tem de acabar com a vida de todo mundo para salvar uma única pessoa? Mas, por outro lado, quem não sacrificaria o mundo para salvar alguém que ama de verdade? Por isso, é uma escolha impossível.
Quero jogar de novo, porque teve muita foto que não tirei, muita coisa que não fiz, muitas pessoas com quem não conversei e algumas escolhas que eu gostaria de mudar.


 

Mitos viram história
Acordei com a péssima notícia da morte de David Bowie. Ele era um daqueles que eu nunca conseguiria imaginar morrendo, simplesmente porque a morte me parece tão pequena perto de alguém tão grande. Mas ele não se foi. Poucas pessoas na história da humanidade se tornam mitos, e aqueles que conseguem alcançar esse patamar nunca desaparecem. Mitos não morrem: se tornam história.


 

Sobre o que estou ouvindo: OST de Life is Strange. Especialmente Bright Eyes, que foi uma linda surpresa quando tocou durante o jogo (e ainda foi Lua, uma das músicas que mais amo na vida).


Lembrete para mim mesma: você já pode voltar para a academia, viu? O tombo foi feio, mas não tão feio assim.

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