A má notícia é que todo mundo morre no final. Fim de jogo.

AUTHOR ZADIE SMITH

Quatro vidas de NW

Terminei de ler NW, último livro da Zadie Smith, nesta semana e gostei bastante. Um dos livros que mais gostei, dentre os li no ano passado, foi a primeira obra dela, Dentes Brancos, por isso estava bem animada para ler esse. Normalmente, criar expectativas é ruim, mas, neste caso, não prejudicou em nada. NW é muito, muito bom, e eu preciso ler mais Zadie Smith.

O que mais chama atenção no livro é a prosa de Zadie Smith. Fragmentada, com diálogos quebrados que mostram a atenção dos personagens indo e vindo, frases e palavras que parecem soltas mas que imitam com perfeição a maneira como pensamos e agimos. Além disso, o maior trunfo do livro é, na minha opinião, a forma realista e crua com que ela mostra como os seres humanos se vestem com máscaras e mudam seu comportamento de acordo com o ambiente e as pessoas ao seu redor. As interações entre os personagens são tão verdadeiras que, nos momentos desconfortáveis, eu tive vontade de fechar o livro da mesma forma com que me dá um impulso de me esconder na vida real.

Assim como em Dentes Brancos, Zadie Smith foca a história de NW em vários personagens. Neste caso, quatro pessoas nascidas e criadas no Noroeste de Londres (North-West, o NW do título). O contexto é bastante simples: seguimos a vida desses quatro personagens, acompanhando seus esforços e seus sonhos de conseguir ir além do que é esperado para pessoas vindas dessa região pobre e marginalizada.

106. Parklife
Indivíduo fêmea busca indivíduo macho para relacionamento amoroso. E vice-versa.
Pessoa da classe baixa com capital intelectual mas nenhuma riqueza excedente busca pessoa da classe alta com riqueza excedente substancial para aproveitamento de vantagens mútuas, incluindo maior expectativa de vida, melhor nutrição, menos horas de trabalho e aposentadoria antecipada, entre outros benefícios.
Animal humano precisando de comida e abrigo busca animal humano do sexo oposto para lhe dar prole e permanecer com ele até que a sobrevivência independente da referida prole seja provável.
Alguns genes, buscando sua própria sobrevivência, vão atrás do que quer que lhes dê a maior probabilidade de se replicar. (Zadie Smith, NW)

A primeira parte do livro é focada em Leah, única personagem branca entre os protagonistas, mas ainda assim é fruto de uma mistura de nacionalidades: inglesa e irlandesa (todo mundo é misturado em NW, ninguém é simplesmente uma coisa só). Ela trabalha numa ONG que ajuda pessoas pobres, ela tem um marido que ela meio que gosta, ela tem uma cachorra que ela ama muito, e tem uma melhor amiga que ela meio que não gosta. A principal angústia de Leah é que todos ao seu redor, inclusive o seu marido, esperam que ela fique grávida o mais rápido possível e ela, no meio de toda essa pressão, morre de medo que isso aconteça. É uma personagem que se esforça para ficar parada no tempo, porque o que ela vê quando imagina seu futuro não é o local para onde quer ir.

A outra protagonista do livro é Natalie, que já foi Keisha, e é a tal melhor amiga de Leah. Apresentada como alguém não muito gostável, voltamos para a infância das duas e acompanhamos todo o esforço de Natalie para conseguir ser mais do que esperam que ela seja. Seus estudos, suas provações, as pessoas que conhece e as pessoas que precisa deixar para trás. Ela realmente se torna a pessoa mais bem sucedida a sair da vizinhança pobre de onde ela e Leah vieram, e aquela ascensão faz com ela não só os outros percam contato com ela, mas com que ela mesma fique confusa com quem foi, era e quer ser.

170. Fantasiada
Fantasia de filha. Fantasia de irmã. Fantasia de mãe. Fantasia de esposa. Fantasia de advogada. Fantasia de rica. Fantasia de pobre. Fantasia de britânica. Fantasia de jamaicana. Cada uma exigia um guarda-roupa diferente. Mas, quando considerava essas atitudes diversas, ela se esforçava para pensar em qual seria a mais autêntica, ou talvez a menos falsa. (Zadie Smith, NW)

Uma pequena parte do livro é dedicada a Felix, que vem do mesmo lugar que os outros personagens, mas não é conhecido por ninguém. Com um passado triste, cheio de abusos e vício em drogas, ele é mostrado como alguém mais que disposto a mudar, não só através de discursos, mas também de ações (que, apesar das intenções, talvez não tenham o melhor dos resultados).

E, por último, temos Nathan. Menino bonito e admirado na escola, agora é um mendigo viciado em crack que perambula perto do ponto de ônibus. O encontro dele com cada um dos personagens acima representa momentos notáveis no livro, especialmente o último, com Natalie.

“Tá me escutando? Próxima fase. As pessoas podem passar a vida toda simplesmente obcecadas. Eu poderia passar a vida todo obcecado por algumas das merdas que aconteceram comigo. Fiz isso. Agora é hora da próxima fase. Estou avançando no jogo. E estou pronto pra isso.”
“Tá, tá entendi a metáfora, não precisa ficar repetindo.” Annie acendeu um cigarro, deu trago profundo e soltou a fumaça pelo nariz. “A vida não é um videogame, Felix ¬ — não existe um número certo de pontos que mandam você pra a próxima fase. Na verdade não existe nenhuma próxima fase. A má notícia é que todo mundo morre no final. Fim de jogo.” (Zadie Smith, NW)


 

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Sobre o que estou jogando: Faz algum tempinho comprei a última versão de Harvest Moon pra 3DS, o subtítulo é A New Beginning, e a ideia era recomeçar a série de certa forma. Claro que mantém os elementos chave que fizeram os jogos anteriores ter tanto sucesso, mas nesse jogo, além de administrar sua fazenda, você tem que ajudar a revitalizar a cidade (e é possível personalizar a aparência do seu personagem no começo e, depois que tiver salão de beleza e loja de roupas na cidade, mudar ainda mais). No começo, não tem muito o que fazer. As sementes demoram pra crescer, não tem quase ninguém morando na cidade e você não tem animais pra cuidar. Os tutoriais também são muito grandes e lentos, acabam enchendo o saco depois do terceiro ou quarto. Mas eu recomendo persistir, porque quando começa a ficar bom, fica viciante. Bom, pelo menos pra mim, que adoro esse tipo de jogo (Animal Crossing tá na minha lista de favoritos da vida). Pelo que consegui perceber, ainda tenho muito o que fazer no jogo, não tenho todos os animais possíveis e nem passei por todas as estações ou eventos especiais do calendário.

 


 

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Eu quero: finalmente comprei meu primeiro Funko Pop e não poderia ter sido uma personagem mais perfeita: Alex Vause, de Orange is The New Black. Eu ainda não tinha começado a colecionar essas fofuras porque todos os que eu quero são difíceis de achar aqui no Brasil e com o dólar lá no alto é muito caro trazer de fora. Felizmente, a Alex chegou na loja Funko Mania e eu pude trazê-la para casa. É a coisinha mais fofa do mundo! Já quero os outros da minha lista (10º Doutor, Cosima, Hermione, Starbuck, Caprica Six, etc.)

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