O muro e as pílulas azuis

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Acho que já fazem mais de cinco ou seis anos desde que eu comecei a dar histórias em quadrinhos pra a minha irmã em seus aniversários. Eu nem lembro direito como começou, deve ter sido porque ela, há algum tempo, queria trabalhar com isso. De lá para cá, ela se desiludiu com a ideia de desenhar quadrinhos (especialmente por conta do machismo no mundo das hqs), mas a tradição continua e, toda vez que eu faço um comentário sobre comprar qualquer outra coisa pra ela de aniversário, ela me dá bronca e fala que não pode.

Um dos primeiros livros que dei de presente pra ela foi Paraíso – O Sorriso do Vampiro, eu acho (continuação de O Vampiro que Ri, uma das histórias favoritas dela) e depois vieram Fun Home, Umbigo Sem Fundo, Retalhos, Cicatrizes, Você É Minha Mãe?, Jimmy Corrigan, Lucille e provavelmente mais algumas que não estou me lembrando (acho que Umbigo Sem Fundo é minha favorita).

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No ano passado, acabei comprando pra ela Pílulas Azuis, do Frederik Peeters, e O Muro, que tem o roteiro de Céline Fraipont e a arte de Pierre Bailly. As duas saíram aqui pela nemo, que está fazendo um trabalho bem bacana de publicar essas HQs “autorais” (com todos as aspas, uma vez que acho que todo trabalho é autoral).

Pílulas Azuis é uma história autobiográfica. O autor, Frederik Peeters, faz um trabalho sensível e informativo sobre o HIV, usando como fio narrativo sua própria vida: ele é casado e meio que pai adotivo de dois portadores do vírus e, através da jornada dele em lidar com isso, descobrir que seus preconceitos estavam completamente errados e aprender uma outra forma de viver com sua esposa e o pequeno filho dela, nós descobrimos que doença nenhuma é capaz de incapacitar o ser humano de seu maior bem: o amor.

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O Muro é bem mais pessimista (minha irmã disse que eu tinha ter lido antes de Pílulas Azuis, como ela fez, pra terminar a leitura feliz e não arrasada). Conta a história de uma menina adolescente cuja mãe vai embora, porque se apaixonou por um estrangeiro, e que é deixava para viver sozinha, uma vez que quase não vê seu pai (sempre trabalhando e pouco interessado no que se passa na vida dela) e, aos poucos, acaba perdendo também as outras pessoas ao seu redor. É sobre ser obrigada a crescer em um ambiente triste, solitário e sem esperança.

Recomendo bastante as duas leituras, e também todas as outras que citei antes (ainda não errei no presente, todas foram muito boas).


 

Sobre o que estou assistindo: Ou melhor, o que vou assistir! Hoje vou assistir o filme do Peanuts, que estou esperando desde que disseram que ia sair. Era meu desenho favorito quando criança, e até hoje, um dos quadrinhos que mais gosto e que mais me surpreende com a profundidade e os temas que aborda. Tomara que o filme seja bom.

Sobre o que estou lendo: comecei a ler O Pintassilgo, da Donna Tartt nessa semana. Ainda estou no começo (página cento e alguma coisa de setecentas e poucas) mas já me fez chorar umas três vezes. O que mais estou gostando, até o momento, é o ritmo da narrativa.

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