Harper Lee

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Existem pessoas que se preocupam tanto com o Outro Mundo que nunca aprendem a viver neste.

Alguns livros ficam conosco para sempre. Não dá para saber quais serão até que você leia, e até que chegue naquele momento em que não tem mais jeito: a história já te pegou e a única coisa que você pode fazer é se render. São poucos os livros que fazem isso, e nunca é o mesmo para cada pessoa, portanto quando acontecer: aproveite.

Para mim, O Sol É Para Todos é um desses livros. Quando comecei a ler, já sabia mais ou menos do que se tratava, mas não tinha a menor ideia de como ele ia me afetar. De quão profundo cada um dos momentos, frases, personagens, ideias ali dentro me marcariam. Mais ou menos na metade da leitura, eu já sabia que estava lendo algo especial e, ao fim, a única coisa que consegui fazer foi chorar e agradecer à autora, Harper Lee, por ter compartilhado algo tão especial comigo.

Harper Lee morreu hoje.

Eu queria que você visse o que é realmente coragem, em vez de pensar que coragem é um homem com uma arma na mão. Coragem é quando você sabe que está derrotado antes mesmo de começar, mas começa assim mesmo, e vai até o fim, apesar de tudo. Raramente a gente vence, mas isso pode até acontecer.

Eu estou realmente mal com isso e pode parecer estranho porque, afinal de contas, eu não a conhecia. Mas o fato é que eu conhecia, sim. Não existe algo mais íntimo do que compartilhar da arte de alguém. Arte é pegar o seu mundo interior e encontrar uma forma de colocar para fora. Quando bem feita, a arte afeta as pessoas do jeito que seu autor estava esperando. Quando excepcional, a arte afeta as pessoas de maneiras tão diferentes e complexas que é impossível descrever. O Sol É Para Todos pertence ao segundo grupo, uma obra prima capaz de realizar aquelas que considero as maiores funções da literatura – transformar a forma com que as pessas enxergam o mundo e mostrar ao leitor que seus dramas pessoais são universais e que ele não está sozinho nessa – através de uma história.

Só existe um tipo de gente: gente.

Os personagens de O Sol É Para Todos são pessoas que eu amo. Scout e Boo são partes de mim. Atticus é meu herói. Todos viveram causa da Harper Lee e, agora, numa inversão mágica que só a arte é capaz de fazer, ela viverá para sempre através deles.

Antes de poder viver com os outros, eu tenho de viver comigo mesmo. A consciência de um indivíduo não deve subordinar-se à lei da maioria.

Obrigada, Harper Lee. Obrigada mesmo. Por tudo.

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