A arte lava a sujeira da vida

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Se nós, cidadãos, não apoiamos nossos artistas, sacrificamos nossa imaginação no altar da crua realidade e acabamos não acreditando em nada e sonhando inutilmente. — Yann Martel

Desde que o vice-presidente-decorativo assumiu o Brasil e resolveu que, entre outros, acabar com o Ministério da Cultura, a internet embarcou numa nova onda: chamar artista de vagabundo.

Acho que já era uma opinião que existia, como a maioria dessas, e agora encontrou um terreno seguro para ser disseminada. Porque ideias erradas sobre o Minc e a Lei Rounet dão argumentos (furados) e ainda existe aquela falácia estúpida de: Por que se importar com isso quando o país está desabando? Vamos lutar por saúde, educação, segurança e que se dane cultura. Arte é supérfluo.

Temos a arte para não morrer da verdade. — Friedrich Nietzsche

Sinceramente, estou chocada com esse tipo de opinião e ainda mais pelo fato dela estar sendo dita sem que as pessoas tenham um pingo de vergonha. Como se a cultura não fosse algo essencial para a sociedade. Como se arte não fosse essencial para o ser humano. Como se artistas fossem um peso que pude ser descartado assim que se começa a afundar.

O que essas pessoas esquecem (ou desconhecem) é que a arte e cultura nunca afunda nada. Ao contrário, a arte eleva. Sustenta. A cultura é a alma de uma povo. A arte é o tira o ser humano da mediocridade.

São os artistas desse mundo, os que sentem e os pensam, que irão nos salvar, que conseguem articular, educar, desafiar, insistir, cantar e gritar os grandes sonhos. Só os artistas são capazes de transformar o ‘talvez um dia’ em realidade.” — Leonard Bernstein

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O papel da arte na sociedade é dar significado individual e coletivo, sustentar, emocionar, estimular, desafiar. A arte nos faz criar laços com os outros, nos colocar em mundos que nunca pisamos e sentir emoções que não sabemos dar nome. Uma sociedade que não dá valor a arte está fadada ao fracasso. No final, o que vai sobrar de nós é a nossa cultura e, por isso, devíamos ter muito cuidado com o que escolhemos fazer dela.

Grafite é uma das únicas ferramentas que você pode ter quando não se tem quase nada. E mesmo que você não crie uma pintura que possa curar a pobreza do mundo, você pode fazer alguém sorrir enquanto dá uma mijada. — Banksy


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Sobre o que estou assistindo: Até o momento, essa quarta temporada de Orphan Black está ficando atrás apenas da primeira em questão de qualidade. Eles resolveram muitos dos problemas da temporada passada, estão focando nas personagens que nos fizeram amar a série e, como sempre, continuam usando e abusando de temas feministas como poucas séries tem coragem de fazer (Orange is the New Black, The Fall). Esse sexto episódio foi bem tenso e segue aquela tradição de ter um “season finale” no meio da temporada. Eu estava esperando uma virada porque, do ponto de vista narrativo, era o momento: estamos entrando no final da história (já foi dito que a quinta temporada vai ser a última) e sempre precisa ter aquele momento do “tudo foi perdido”. Nesse caso, tudo realmente foi perdido e estou bem curiosa pra saber como a situação vai ser resolvida. Alguns pontos aleatórios: Krystal precisa ficar na série pra sempre e ter seu spinoff sobre espionagem na indústria de cosméticos; nunca mais vou entrar num consultório de dentista do mesmo jeito; esse sexto episódio telegrafou que a Delphine está viva e deve aparecer até o fim da temporada; Fee com cosplay de Sherlock me fez uma fangirl feliz; Mika precisa entrar logo para a família e jogar videogame com a Cosima e o Scott.

Sobre o que estou lendo: Não é bem o que estou lendo, mas o que vou ler em breve. Pureza, do Jonathan Franzen, deve sair aqui no Brasil até o fim do mês. Ele é um dos meus autores favoritos e eu mal posso esperar. Toda vez que sai um livro dele (normalmente de 10 em 10 anos) é um acontecimento na minha vida. Enquanto espero, estou entrando no clima vendo algumas entrevistas com ele e uma em particular me chamou a atenção. Vou deixá-la aqui para quem tiver interesse. Fala sobre a leitura e escrita salvaram a vida dele, o que nos leva novamente para o primeiro assunto do post e me faz lembrar de uma frase dele que também cabe muito bem aqui:

Uma ficção melhor pode salvar o mundo? Sempre há um fiapo de esperança (coisas estranhas realmente acontecem), mas a resposta é quase certamente não. Há uma chance razoável, no entanto, de que a ficção possa salvar nossa alma. — Jonathan Franzen

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