Jonathan Franzen odeia tudo, e ele pode ter razão

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Jonathan Franzen odeia muitas coisas. Ele odeia tantas coisas que a hashtag #jonathanfranzenhates foi criada e ganhou visibilidade depois dele falar, durante uma seção de leitura e autógrafos, como e o porquê de odiar o twitter. Esse tweet aí de cima, no entanto, me parece mais um argumento a favor do Franzen do que uma zoação com a sua já muito conhecida persona emburrada: Jonathan Franzen odeia emoticons porque é preciso 600 páginas para transmitir corretamente uma emoção. Bem, na verdade, é mesmo.

Todo mundo sabe que a obra prima do Franzen é As Correções, um livro tão fantástico que acho injusto compará-lo com os livros anteriores e posteriores. As Correções está numa categoria própria. Eu gostei de Tremor mais que de Liberdade, mas acho que coloco  acima destes, mesmo que não por muito.

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No começo, o livro me pareceu desinteressante, achei a personagem irritante e não conseguia simpatizar com ela ainda que as relações problemáticas e dolorosamente realistas (marcas do Franzen) estivessem ali. Eu vi alguns críticos dizendo que, talvez, tenha sido de propósito essa dificuldade da personagem no começo porque, e eu também senti isso, aos poucos você acaba se aproximando dela e a enxergando por outros ângulos que ajudam a dar mais dimensões e deixar seus sentimentos por ela mais complexos (outra coisa que o Franzen faz com maestria).

A personagem principal se chama Purity (como o título original do livro), vive numa casa de uma comunidade meio alternativa, está aterrada em dívidas e tem uma relação tóxica com sua mãe (mais uma mãe estilo Franzen). Ela não sabe quem é seu pai, porque sua mãe se recusa a dizer qualquer coisa sobre ele, e acaba tendo a oportunidade de descobrir informações sobre ele quando entra em contato com o Projeto Luz do Sol. Aí a narrativa introduz outro personagem importante: Andreas Woolf, uma espécie de Julian Assange, líder do Projeto Luz do Sol, celebridade venerada, vazador de informações. Ele tem sua própria história com sua própria mãe e família problemática, que nos leva para a Alemanha Oriental pouco antes da queda do muro. Outros personagens importantes também são introduzidos e, tem seus capítulos de ponto de vista e histórias, mas é acho melhor não discorrer sobre eles porque será spoiler. A única coisa que tenho que dizer é que o livro me ganhou no momento em que contou a história dos pais de Pip (como Purity se apresenta). Este momento do livro é o ponto alto da história e uma das melhores coisas que o Franzen já escreveu. Dessa parte em diante, não consegui mais largar o livro e nem tirá-lo da minha cabeça quando não estava lendo. É aquela mistura de grotesco, real, sátira e melancolia que me fez amar esse autor.

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Então, sim, em suas mais de 600 páginas, Pureza mostra a história de uma personagem em busca de suas raízes e das pessoas ao seu redor que, numa ironia inteligente, buscam pureza. E todos os sentimentos em torno dessa história são muito mais complexos do que qualquer coisa escrita em 140 caracteres. Você pode odiar o fato de que o Franzen odeia tudo, mas não tem como ler um livro dele não pensar que, mesmo sendo ranzinza e extremista em sua visão de mundo e da tecnologia, ele tem um pouco de razão.


Sobre o que estou jogando: Na verdade, sobre o que acabei de jogar. Finalmente terminei o terceiro capítulo de Fire Emblem Fates, o Revelations, e fiquei satisfeita em descobrir que é possível conseguir um final feliz no jogo. Só no Revelations, e se você não jogar os outros capítulos (Birthright e Conquest) não vai achar tão satisfatório assim, mas foi lindo ver esse final depois de ter terminado a jornada de forma amarga antes. Foi muito acertada a decisão de focar na história, uma vez que o sistema de jogo da versão anterior era excelente e não precisava de mudanças, e o resultado foi um jogo divertido e com o qual é possível se apegar emocionalmente também. Adorei, quero jogar de novo.

Sobre o que estou lendo: Agora que terminei Pureza, comecei a ler dois livros: Almoço Nu, de William S. Burroughs; e Eu Estou Vivo e Vocês Estão Mortos -A Vida de Philip K. Dick, de Emmanuel Carrère. Ainda estou no comecinho, então não tenho o que falar deles, só que é bacana voltar a ler uma biografia e uma ficção ao mesmo tempo, eu descobri que funciona muito bem pra mim misturar as leituras assim.

Sobre o que estou assistindo: Ainda não vi, mas foi liberado o primeiro episódio da segunda temporada de Mr. Robot. Só pra avisar. Espero que seja bom como foi a primeira temporada.

Sobre o que eu quero jogar mas não posso porque é um 7 a 1 por dia aqui no Brasil: Por favor, Nintendo, libera Pokemon Go! Por favor, nunca te pedi nada!

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