Monthly Archives: August 2016

Vera Acácio

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Coloquei um conto novo chamado Vera Acácio no Wattpad. É novo, mas não é tão novo assim. Eu escrevi faz algum tempo, um pouco depois de terminar A máquina curiosíssima. Em parte porque eu não estava pronta para abandonar aqueles personagens, e em parte porque eu queria experimentar um ponto de vista e um tema diferente naquele mesmo ambiente.

A dificuldade de escrever A máquina curiosíssima veio da organização e planejamento dos elementos. Aquela espinha de peixe que estrutura a história e onde cada coisa deveria se encaixar. Especialmente porque a versão original deste conto era bem menor e se passava apenas no Parque dos Presentes. Eu escrevi como trabalho final para um curso de escrita criativa, então o espaço era limitado para a quantidade de ideias que eu estava tentando comunicar, por isso resolvi diminuir o ritmo e contar a história com mais calma e em mais passos quando tive a chance.

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Vera Acácio foi uma extensão da minha visita ao universo da máquina. Eu passei um bom tempo criando a relação entre os personagens e, no fim das contas, não tive a chance de explorá-las porque estava o usando o ponto de vista da ViVi, então sua irmã e seus pais acabaram sendo espremidos em pequenas cenas.

Porque eu tenho uma irmã e eu sei como a conexão entre irmãs pode ser forte, desde o começo eu tive a tendência de tentar enxergar a ViVi pelos olhos da Sara. O que sentiria e pensaria uma irmã ao ver a outra numa espiral delirante? Foi isso que me fez escrever Vera Acácio. Ao mesmo tempo, eu quis tentar entrar na pele de uma protagonista mais distante de mim e trabalhar com temas mais realistas, como a relação dela com seus pais e a dificuldade de conciliar sua vida com a obrigação de cuidar de uma irmã que necessita de cuidados especiais. Não consegui resistir ao fantástico, no entanto. O final é a minha tentativa de “telefonema de lugar nenhum do Murakami”, talvez não faça sentido para quem não leu A máquina curiosíssima, mas Vera Acácio não existiria sem esse primeiro conto, então não me preocupei muito com isso.

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Em tempo: quando escrevi A máquina curiosíssima, em nenhum momento pensei que o destino da ViVi seria o que está em Vera Acácio. Aliás, eu não tenho certeza se penso isso quando leio ou lembro do conto original. Na minha cabeça, esse segundo conto existe num futuro alternativo em que a história sendo contada é a de Sara. Acho o final de A máquina curiosíssima muito otimista e eu não tinha a intenção de mudar isso com o Vera Acácio. Ainda assim, não acho que esse destino seja incoerente para a ViVi. Eu não poderia ter imaginado essa personagem se não tivesse me apaixonado pelo Holden Caulfield, que acabou sendo internado após sua jornada em O apanhador no campo de centeio. Talvez seja isso mesmo. Talvez ser institucionalizado para “descansar” seja o destino mais comum para pessoas normal que vivem num mundo louco.

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