Viver sem saber o que é uma vida normal

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A incapacidade de comunicar o medo de não ser amável

Nesta semana, assisti ao filme Short Term 12 (escrito e dirigido por Destin Cretton) e gostei muito. Fiquei sabendo da existência dele porque a protagonista é a Brie Larson, uma atriz da qual sou fã, e por isso nem tenho certeza se ele foi lançado aqui no Brasil ou não. De qualquer forma, tudo está disponível na internet, então se você se interessar, não é difícil achar por aí. O filme conta a história de uma moça de 20 e poucos anos chamada Grace que trabalha num lar temporário para crianças e adolescentes vítimas de abuso ou que foram negligenciados pelos pais e acabarem sem ter para onde ir. A ideia é que eles fiquem lá por, no máximo, um ano, mas na prática não é bem assim que funciona e, muitas vezes, eles acabam ficando por lá até completarem 18 anos e serem mandados de volta para o mundo que os rejeitou.

Com personagens complexos e diálogos extremamente realistas, o filme conta uma enorme história sobre o medo de ser e não ser amado. A forma sensível e respeitosa com que fala sobre assuntos pesados é algo que deveria ser usado de exemplo em todas as formas de ficção. Além disso, é uma das poucas obras que eu vi tratar de transtornos e distúrbios mentais e psicológicos de forma responsável. Nenhum personagem é mostrado como louco, ao mesmo tempo que seus distúrbios também não são romantizados. Eles são o que são: sobreviventes, gente tentando se comunicar e pedir ajuda sem saber como.

Uma das coisas que se aprende quando se começa a estudar escrita criativa é que ninguém diz exatamente o que quer dizer, e que é preciso lembrar disso na hora de escrever diálogos. Short Term 12 é perfeito para exemplificar isso: ninguém, em momento algum, do filme fala o que está pensando. Os personagens se comunicam por tangentes, querendo ser entendidos sem que precisem explicar porque explicar é difícil, e dói e, quando se trata de pessoas que passaram por tudo que eles passaram, às vezes é impossível encontrar palavras que descrevam o que acontece lá dentro. Dois dos momentos mais tocantes do filme, aliás, envolvem adolescentes amedrontados pedindo ajuda por meio de arte. É, ao mesmo tempo, lindo e triste. Mais ou menos como a vida.


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Redescobrindo seu lar

 Joguei Gone Home nesse fim de semana, que estava na minha lista faz tempo graças à indicação de uma amiga (brigada, Ju!) e eu meio que tinha esquecido porque estava jogando outras coisas, mas entrou em promoção (brigada steam!) e eu resolvi comprar. Eu sabia que era um jogo de exploração, mas não sabia muito mais o que esperar. Fui surpreendida por um jogo tão lindo quanto inovador. A gente controla uma jovem chamada Katie, que volta da Europa e encontra uma casa vazia lhe esperando. Seus pais não estão e sua irmã deixou um bilhete na porta falando que foi embora, que é melhor que Katie não queira saber o porquê, que ela não quer ser encontrada, mas que está bem.

Claro que a gente vai fazer exatamente o contrário do pedido por Sam (a irmã): através de pistas espalhadas pela enorme (e meio assustadora) casa, vamos reconstituindo a vida dessa família, descobrindo segredos de cada um de seus membros e escrevendo a história do que aconteceu durante a viagem de Katie que fez com que ela voltasse para uma casa vazia. É basicamente isso, não tem susto, não tem monstro, não tem sangue, não tem inimigos. Nossos olhos são os de Katie, mas Sam é o coração da narrativa e aos poucos vamos descobrindo mensagens que ela deixou, explicando o que aconteceu, numa história sobre crescer, se encaixar, se desencaixar e se descobrir. Minha única reclamação é que o jogo é muito curto e poderia ser bem maior, mas é indie e tal, então já era de se esperar. Preciso jogar de novo pra descobrir algumas coisas que deixei passar.

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Essas são as pessoas racionais?

Eu também quero recomendar um vídeo que achei hoje sobre o que está errado na comunidade ateísta do Youtube. Eu sou ateísta, mas não me arrisco a ver qualquer vídeo sobre o assunto de um desses youtubers famosos porque, como foi muito bem dito por este ateu (que eu não conhecia), o discurso deles é cheio de misoginia, machismo, prepotência e preconceito. Isso vindo de um grupo de pessoas que, em teoria, deveria se alinhar com o pensamento racional, liberal e progressista.

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2 thoughts on “Viver sem saber o que é uma vida normal

  1. Moon Valkyrie says:

    Ainnnn, Gabi! Adorei que vc gostou do jogo <3 Realmente ele é mt pequeno mesmo =(

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