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Aquarius e Estação Perdido

Duas coisas aconteceram comigo na última semana: Aquarius e Estação Perdido. Não vou entrar em detalhes sobre as histórias das duas obras, porque nem sei se consigo falar sobre elas. A ideia é contar o efeito que elas me causaram. Eu tive um professor que falou que arte é quando se consegue pegar o universo de dentro e transformar em algo que possa ser percebido por nossos sentidos. Esses dois trabalhos fazem exatamente isso.

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O primeiro é o filme, claro. Aquele filme que está sendo muito falado desde Cannes, onde a equipe protestou contra o golpe, o que fez um monte de gente se rasgar de raiva e ficar num revanchismo político tão estúpido que culminou com a não-indicação do filme para ser representante do Brasil pela vaga de melhor filme estrangeiro no Oscar. Ao mesmo tempo que todo esse falatório e toda o ódio irracional ao filme e seus realizadores trouxeram publicidade e levaram muita gente ao cinema, quando rolaram os créditos, eu fiquei pensando que triste que um filme tão cheio de amor esteja envolto em tanto ódio.

Aquarius, dirigido pelo Kleber Mendonça Filho e protagonizado pela Sonia Braga, é uma obra-prima. É um daqueles filmes que você percebe, enquanto está assistindo, que é especial no sentido mais puro da palavra. Não é uma história complexa, mas a sua simplicidade é tão profunda que, quando terminou, eu tinha esquecido qualquer palavra que pudesse expressar o que o filme fez comigo.

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Estação Perdido é o primeiro romance do China Miéville. Também é considerado sua obra máxima. Dele, eu já tinha lido A Cidade & A Cidade, e ficado impressionada com a qualidade. Impressionada é algo pequeno se comparado ao que senti quando terminei de ler Estação Perdido. É um livro que contém múltiplos. Uma história relativamente simples, dentro de um universo complexo, que trata de temas socialmente relevantes e tudo isso escrito numa prosa maravilhosa. É um livro que demanda toda a sua atenção e que fica com você no final. Provavelmente vai ficar por um bom tempo.

Eu escrevo. Eu trabalho todos os dias para ser uma contadora de histórias, esse filme esse livro me fizeram lembrar o porquê disso. Porque uma história universal faz a gente sentir da forma mais primária possível. O ser humano é um ser ficcional. Precisa de histórias para se compreender. Precisa de histórias para viver. Aquarius e Estação Perdido me fizeram sentir a vida em cada centímetro do meu corpo. Eu só posso mesmo sonhar que, um dia, algo que eu escreva toque alguém com ao menos 1/10 da força com que essas duas obras me tocaram.

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