Holandeses usando drogas em nome da educação

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Eu achei recentemente um canal no youtube chamado Drugslab. É programa holandês produzido com dinheiro do governo para mostrar os efeitos que as drogas causam no corpo das pessoas. Se isso fosse um produção de qualquer outra parte do mundo, eu já imaginaria uma espécie de cautionary tale moderno, em que a moral da história sempre seria “e é por isso que vocês não devem usar drogas”; como é holandês, eu fiquei curiosa e fui assistir os vídeos.

O Drugslab é um programa semanal apresentado pelos jovens Rens Polman, Nellie Benner, e Bastiaan Rosman. Toda sexta-feira, dois deles se encontram para experimentar a droga da semana (sempre sugerida pelos espectadores nos comentários). Eles dão uma explicação geral sobre a droga: qual sua composição química, se é ou não legalizada na Holanda, quais os efeitos mais comuns e quais os perigos de consumir. Depois da introdução, eles decidem (normalmente na sorte) quem vai experimentar. O escolhido coloca um medido de temperatura e batimentos cardíacos antes de usar a droga, para poder comparar depois quando estiver fazendo efeito.

Durante o tempo em que um dos apresentadores está drogado, o outro faz perguntas (você se sente em controle? Como está o seu corpo? Sente náuseas? É divertido?) e prepara alguns testes para medir a concentração, equilíbrio e controle do colega. Tudo é feito com muito cuidado e com todas as informações disponíveis na descrição do vídeo (a dosagem, os efeitos colaterais, doenças pré-existentes que podem tornar a experiência perigosa). E tudo também é feito com leveza, humor, inteligência e sem qualquer sombra do tabu que as drogas são por aqui (e em um milhão de outros lugares).

O slogan do canal é “nós usamos drogas para você não precisar usar” mas, no caso de alguém se sentir curioso e tentado, cada um dos vídeos semanais vem acompanhado e outro explicado o que se deve e o que não se deve fazer ao consumir a droga. É basicamente aquela visão de que: se a pessoa quiser usar, ela vai; então o melhor a fazer é ter certeza de que ela tem as informações necessárias para fazer isso com segurança. Além disso, falar abertamente sobre o assunto parece ser uma estratégia mais inteligente do que a tal “guerra às drogas”, que já fracassou faz tempo e cujo único resultado é a morte de pessoas pobres que vivem na periferia.

Ou, pelo menos, é isso que a Holanda acha e, como normalmente eles estão uns 20 ou 30 anos na frente do resto mundo, eu apostaria que estão certos novamente.

Ps: Se você quiser assistir os episódios, todos eles tem legendas em inglês.


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Sobre o que estou assistindo: Hoje eu vi o primeiro episódio de Dirk Gently’s Holistic Detective Agency. Eu queria ter assistido quando passou na BBC, mas acabei perdendo e, antes que precisa ir atrás da série, a Netflix colocou online toda a primeira temporada. É baseada nos livros do Douglas Adams (mesmo nome da série) e essa é a primeira coisa que se percebe no piloto. Eu não sei como a série vai se desenvolver, mas eu acredito que deve ser um pouco estranho para quem não conhece a voz e o estilo do Douglas Adams. Porque está tudo lá: a esquisitice, o humor, as tiradinhas inteligentes e engraçadas e mais bizarrices. Achei o piloto bacana (nunca se pode esperar muito de pilotos em geral) e fiquei animada para ver o resto.

 

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