“And the queen, she’s gone round the bend”

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Eu, normalmente, não me interesso muito por dramas de época mas li tanta coisa boa sobre esta série que decidi assistir. O primeiro episódio não é grande coisa. Esteticamente é lindo, como a série inteira, mas não acerta o ritmo e não é muito feliz da forma como apresenta os personagens (meio confuso, sem nada marcante e você esquece a maioria no fim do episódio, se perguntando quem é quem no capítulo seguinte). A partir do segundo episódio, no entanto, The Crown encontra seu ritmo e suas maiores forças narrativas.

Estruturado em 10 episódios de mais ou menos uma hora cada, o seriado conta a história de como a rainha Elizabeth II subiu ao trono e quais as dificuldades que enfrentou nesse começo de reinado. Com certeza, 99% das pessoas assistindo a série não conseguiriam se identificar com o cotidiano dos personagens (ainda mais quem não é inglês e não cresceu com a família real como fonte de fofocas), por isso a decisão de usar isso como contexto para contar histórias familiares é muito acertada.

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The Crown usa a coroa para contar a história de uma jovem dividida que precisa crescer para vestir o papel que lhe foi imposto, muitas vezes passar por cima dos sentimentos dos outros e dos seus próprios sentimentos na hora de tomar decisões; conta a história do primeiro ministro Winston Churchill, um senhor de quase 80 que se recusa a enxergar que já não tem mais condições de fazer tudo o que fazia quando mais novo; conta a história do duque Philip, casado com Elizabeth, que vai se sentindo cada vez mais emasculado a medida que sua esposa ganha poder e confiança; conta a história da princesa Margaret, dona de uma personalidade forte e enorme carisma, vivendo algo que parece ser o início da culto às celebridades ao mesmo tempo em que não consegue se libertar das amarras que veem junto ao fato de ser irmã da rainha.

Cada episódio é centrado em um episódio específico, então a impressão é de estarmos vendo 10 filmes que, juntos, contam uma história maior. Criada por Peter Morgan, roteirista de A Rainha, filme onde ele mostrou a vulnerabilidade discreta por trás da frieza; dessa vez, ele se concentra em nos mostrar como ela precisou se fechar para sobreviver sob os holofotes.


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Sobre o que estou assistindo: Ontem começou a terceira e última temporada de X Company.  Minha opinião é aquela de que é melhor acabar antes do nível baixar e, considerando o contexto em que a série se passa (espiões canadenses sabotando nazistas na Europa durante a Segunda Guerra Mundial), não dava para fazer algo que durasse 10 temporadas sem que os telespectadores perdessem a suspensão da descrença. Segundo os criadores, eles não querem contar a história da guerra, mas sim deste grupo de espiões e sua relação com um tenente nazista que, algo que está sendo construído desde o primeiro episódio. Espero que mantenha o nível da segunda temporada, que foi excelente.


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Sobre o que estou lendo: Estou quase na metade do primeiro livro de 2017: Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently, do Douglas Adams. Estou gostando muito, o que não é nenhuma surpresa, porque eu sou fã da voz e do estilo do Douglas Adams. E é engraçado demais, como ele também é mestre em fazer. O mais surpreendente é que o personagem título só aparece lá para a página 100 e pouco do livro. Gostando muito, por enquanto.

 

 

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